Começa nos mercados antes das 13h00, segue pelos jardins da Avenida 5 de Outubro e passa a tarde na zona histórica, à volta da Praça da Restauração. Se preferires praia, apanha o barco para a Armona, mas confirma antes a hora da última volta.
Antes de saíres
Olhão faz-se bem a pé. Os mercados, os jardins da ria, a zona histórica e o cais dos barcos ficam todos na baixa, perto uns dos outros. Este roteiro começa cedo, porque os mercados só abrem de manhã, e acaba à beira da ria ao fim do dia. Se a ideia é ir à ilha à tarde, vê primeiro os horários dos barcos: fora do verão há poucas carreiras.
Manhã: os mercados
Começa pelos Mercados de Olhão, na Avenida 5 de Outubro, de frente para a Ria Formosa. São dois edifícios de tijolo à vista e estrutura de ferro: o do peixe a poente e o das frutas e legumes a nascente, cada um rematado por quatro torreões redondos envidraçados. Começaram a ser construídos em 1912 e abriram quatro anos depois, em terreno ganho à ria. Segundo a Visit Olhão, cada edifício assenta em 88 estacas ligadas por arcos de tijolo. Foram reabilitados no fim do século XX e reabriram em 1998, com o interior forrado a azulejos pintados por Costa Pinheiro.
O horário oficial é das 7h00 às 13h00. Ao sábado de manhã há também o mercado ao ar livre, junto aos dois edifícios, com pequenos produtores do concelho e dos concelhos vizinhos. Fecham aos domingos e feriados. À segunda-feira estão abertos, mas é um dia fraco, sobretudo no mercado do peixe: há menos peixe fresco e muitas bancas fechadas.
Manhã: zona ribeirinha e jardins
A zona ribeirinha estende-se pela Avenida 5 de Outubro, com a ria de um lado e o casario cubista da cidade do outro.
Logo ao lado dos mercados, para poente, fica o Jardim Pescador Olhanense. Tem um coreto de planta hexagonal com estrutura de metal e bancos com painéis de azulejo que contam duas histórias que vais ouvir muitas vezes por cá: a revolta do povo de Olhão contra os franceses, em 1808, e a viagem do Caíque Bom Sucesso ao Brasil para levar a notícia ao Príncipe Regente. É neste jardim que se faz, em agosto, o Festival do Marisco.
Junto aos mercados está atracada uma réplica desse caíque, um barco de dois mastros com cerca de 18 metros. Só faz passeios na ria de vez em quando, normalmente ligados a eventos, e não de forma regular.
Para nascente fica o Jardim Patrão Joaquim Lopes, inaugurado em 1967, com o monumento a este olhanense que ficou conhecido pelos muitos salvamentos de náufragos. Tem sombra e vista para a ria, e fica perto do cais de onde saem os barcos para as ilhas. No extremo poente da zona ribeirinha está o porto de recreio, com capacidade para 350 embarcações.
A água que tens à frente é o Parque Natural da Ria Formosa, criado em 1987. Segundo o ICNF, é uma laguna protegida do mar por ilhas-barreira e dunas, que se estende do Ancão à Manta Rota e ocupa cerca de 18 000 hectares. A profundidade média é de 2 metros e uma parte importante fica a descoberto na maré baixa, por isso a paisagem muda ao longo do dia. O símbolo do parque é o caimão, também chamado galinha-sultana, uma ave ameaçada.
Almoço
A zona ribeirinha está cheia de restaurantes de cozinha regional e de esplanadas viradas para a ria. Não te indicamos aqui uma casa em concreto: na página Comer tens os sítios organizados por zona. Se vais fazer a tarde na ilha, vê a hora do barco antes de te sentares à mesa.
Tarde, versão cidade: a zona histórica
Dos mercados sobe para a zona histórica, a poucos minutos a pé. Estende-se entre a Barreta, formada pelos núcleos do Gaibéu e do Manuel Lopes, a poente, e o Bairro do Levante, a nascente. É casario branco disposto sem ordem aparente, com açoteias onde se levantam mirantes e contramirantes, becos, travessas e portas e janelas debruadas com platibandas. Vive aqui gente há décadas: anda com calma e fala baixo.
O ponto central é a Praça da Restauração. Aí está a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário, começada em 1698 e aberta ao culto, ainda inacabada, em 1715; o contrato para a torre é de 1722. Foi paga pela gente do mar, como diz a inscrição da fachada: "À custa dos homens do mar deste povo se fez este templo novo". Desde 2013 é Monumento de Interesse Público. A portaria que a classificou nota que a igreja vira a fachada para a vila, fora da orientação habitual, e que o retábulo-mor, de Francisco Ataíde, é o mais alto retábulo barroco do Algarve.
Nas traseiras da igreja, virada para a Avenida da República, fica a Capela do Senhor dos Aflitos, classificada em conjunto com a Matriz. Tem dois andares, sendo o de cima uma loggia, e um painel de azulejos com a Crucificação ao centro. Repara nas velas: há sempre alguém que as acende, de dia ou de noite.
Perto da Matriz e da capela, junto à Avenida da República, está o Monumento aos Heróis da Restauração, inaugurado em 1931 e desenhado pelo arquiteto Carlos Chambers Ramos, em memória da revolta de 1808. Na mesma avenida, o Poço das Bombas lembra o poço que durante muitos anos abasteceu a povoação; hoje tem um painel de azulejos de Jorge Timóteo dedicado aos aguadeiros.
Ainda na Praça da Restauração, o edifício do Compromisso Marítimo, concluído em 1771 à custa dos homens do mar, acolhe o Museu Municipal de Olhão. Abre de terça a sábado, das 10h00 às 12h30 e das 13h30 às 17h00, e fecha ao domingo e à segunda. Vale a visita pela Sala dos Despachos, com o brasão real pintado no teto de madeira, e pelas coleções de património marítimo e de indústria conserveira. Para mais ideias, vê o que fazer em Olhão.
Tarde, versão ilha: barco para a Armona
Se te apetece areia, troca a zona histórica (ou parte dela) pela Armona, a ilha mais perto de Olhão. O barco de carreira sai do cais perto dos mercados e chega ao núcleo de casas do lado da ria; daí, um caminho de cerca de 1,5 km atravessa a ilha até à praia do lado do mar. Em 2026, a Armona-Ria e a Armona-Mar têm Bandeira Azul.
Aqui o que manda é o horário, sobretudo o do regresso. De 1 de outubro a 31 de março há quatro partidas de Olhão, todos os dias (8h30, 12h00, 15h00 e 17h00), e a última volta é às 17h30. Em abril e maio a última volta passa para as 19h30, em junho e setembro para as 19h15 e em julho e agosto para as 20h30. As horas podem mudar com as marés; em caso de dúvida, liga para a bilheteira (+351 964 123 878). Antes de ires, confirma o horário do dia na página dos barcos e compra o bilhete na bilheteira do cais.
Fim do dia: a ria ao pôr do sol
Acaba onde começaste, na Avenida 5 de Outubro. Os jardins e a avenida, de frente para a ria, são o sítio para ver a luz a baixar sobre a água e os barcos de pesca. Com maré baixa aparecem os bancos de areia e de lodo; com maré cheia a ria fica lisa como um lago. Para o jantar, voltas a ter a zona ribeirinha e a lista da página Comer.
Perguntas frequentes
Dá para ver o centro de Olhão a pé num só dia?
Sim. Os mercados, os jardins da zona ribeirinha, a zona histórica e o cais dos barcos ficam todos na baixa, perto uns dos outros. Um dia chega para os ver sem pressas e ainda sobra a tarde para a ilha, se preferires.
A que horas abrem os Mercados de Olhão?
O horário oficial é das 7h00 às 13h00. Ao sábado de manhã há também o mercado de produtores ao ar livre, junto aos edifícios. Fecham aos domingos e feriados, e à segunda-feira o mercado do peixe é mais fraco, com menos peixe fresco e muitas bancas fechadas.
Consigo ir à Armona só durante a tarde?
Sim, mas planeia o regresso. De 1 de outubro a 31 de março a última volta da Armona para Olhão é às 17h30, e a partida de Olhão das 15h00 faz-se todos os dias. Em julho e agosto a última volta é às 20h30. Confirma sempre na página dos barcos.
O Museu Municipal de Olhão abre ao domingo?
Não. O museu, no edifício do Compromisso Marítimo, na Praça da Restauração, abre de terça a sábado, das 10h00 às 12h30 e das 13h30 às 17h00. Fecha ao domingo e à segunda.
Qual é o monumento mais importante da zona histórica?
A Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário e a Capela do Senhor dos Aflitos, nas traseiras, classificadas em 2013 como Monumento de Interesse Público. Ficam na Praça da Restauração.
Onde ver o pôr do sol no centro de Olhão?
Na zona ribeirinha, ao longo da Avenida 5 de Outubro, e nos jardins Pescador Olhanense e Patrão Joaquim Lopes, todos de frente para a Ria Formosa.
Este guia é informativo e foi verificado na data indicada. Horários, preços e regras podem mudar: confirma sempre junto das entidades oficiais antes de ires. Se vires algo desatualizado, avisa-nos pelo Instagram @olhaolovers.
Fontes
- Olhão Cubista, horário dos barcos para as ilhas
- Câmara Municipal de Olhão: Mercados Municipais (horário e mercado de sábado)
- Visit Olhão: Mercado de Olhão
- Visit Olhão: Zona Ribeirinha
- Visit Olhão: Jardim Pescador Olhanense
- Visit Olhão: Jardim Patrão Joaquim Lopes
- Visit Olhão: Caíque Bom Sucesso
- Visit Olhão: Porto de Recreio
- Visit Olhão: Zona Histórica
- Visit Olhão: Igreja Matriz de N. Sr.ª do Rosário
- Visit Olhão: Capela do Senhor dos Aflitos
- Visit Olhão: Monumento aos Heróis da Restauração
- Visit Olhão: Poço das Bombas
- Diário da República: Portaria n.º 275/2013 (classificação da Igreja Matriz e da Capela do Senhor dos Aflitos)
- Museu Municipal de Olhão: Edifício do Compromisso Marítimo (horário e morada)
- Câmara Municipal de Olhão: Compromisso Marítimo
- Câmara Municipal de Olhão: Praias (Bandeira Azul)
- ICNF: Parque Natural da Ria Formosa

