O Parque Natural da Ria Formosa protege a ria, as ilhas-barreira, o sapal e as aves entre o Ancão e a Manta Rota, em cinco concelhos, incluindo Olhão. Nas ilhas, anda pelos passadiços, não acampes nem faças lume, traz o lixo de volta e apanha só à mão e de dia.
O Parque Natural da Ria Formosa é a área protegida que abrange a ria, as ilhas-barreira e as margens entre o Ancão e a Manta Rota, em cinco concelhos: Loulé, Faro, Olhão, Tavira e Vila Real de Santo António. Foi criado em 1987 e é gerido pelo ICNF. Para quem vai às ilhas, as regras práticas cabem numa linha: anda pelos passadiços, não acampes nem faças lume, traz o lixo de volta, apanha só à mão e de dia, e respeita as zonas vedadas às aves.
O que é o Parque e desde quando existe
A ria foi primeiro Reserva Natural, em 1978, e entrou na lista de zonas húmidas de importância internacional da Convenção de Ramsar em 1980. O Parque Natural nasceu com o Decreto-Lei n.º 373/87, de 9 de dezembro, para proteger o sistema lagunar, a sua fauna e flora e as aves migratórias. As regras que hoje se aplicam estão no Plano de Ordenamento, aprovado pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 78/2009.
Segundo o ICNF, o Parque tem 17.900,77 hectares. A profundidade média da laguna é de 2 metros e, na baixa-mar de marés vivas, cerca de 80% dos fundos ficam a descoberto. É por isso que a maré manda em quase tudo o que fazes na ria: vê as marés de Olhão antes de sair.
O que protege
- Ilhas-barreira e dunas. De poente para nascente: península do Ancão, ilhas da Barreta, Culatra, Armona, Tavira e Cabanas, e península de Cacela. Entre elas abrem-se seis barras.
- Sapal. Fica submerso na maré cheia e a descoberto na vazante. O ICNF chama-lhe viveiro: muitos peixes, moluscos e crustáceos passam ali a fase de juvenis.
- Aves. No inverno chegam muitas aves aquáticas do norte da Europa. O símbolo do Parque é o camão. A andorinha-do-mar-anã faz ninho nas dunas e nas salinas.
- Cavalos-marinhos. O IPMA descreve um declínio acentuado nas últimas décadas, por pesca ilegal e degradação ambiental. Há um plano de salvaguarda com áreas de refúgio, e a monitorização recente mostra sinais de recuperação.
- Pradarias marinhas. As ervas marinhas do fundo da ria são tratadas na lei da pesca de 2026 como ecossistema sensível, que pode justificar a proibição de certas artes.
O que não podes fazer
O artigo 7.º do Plano de Ordenamento proíbe, entre outras coisas:
- acampar ou fazer caravanismo fora dos locais destinados a isso;
- fazer fogueiras e queimadas, exceto onde haja infraestruturas para o efeito;
- deixar resíduos fora dos locais próprios;
- circular ou estacionar com veículos motorizados nas praias, nas dunas e nas zonas de maré;
- apanhar ou perturbar espécies protegidas, incluindo ninhos e ovos;
- fazer pesca submarina, e mergulhar com garrafa fora de ações autorizadas.
Fazer qualquer uma destas coisas é contraordenação ambiental. Não te damos valores de coimas porque dependem da gravidade e do caso.
Dunas, passadiços e zonas vedadas
As dunas seguram as ilhas. Atravessa-as só pelos passadiços e caminhos marcados. Há áreas de proteção total onde só entra quem tem autorização do ICNF, e uma delas fica na Armona, entre a Armona e a Fuseta. As áreas de nidificação das aves são definidas todos os anos por edital: se vires vedações ou placas na areia, contorna.
Barcos, velocidade e ancoragem
O plano define canais de navegação. Nos principais, como o canal de Olhão e Olhão-Armona, o limite é de 25 nós. No secundário entre a Armona, a Barra Grande e a Culatra, só passam embarcações até 9 metros e a menos de 15 nós. Fora dos canais só podem andar barcos de pesca local, de apoio aos viveiros, de recreio sem motor ou autorizados, a 10 nós no máximo. Para fundear há fundeadouros definidos. Caiaque, vela e SUP são permitidos, exceto nas áreas de proteção total. Os horários das carreiras estão em barcos para as ilhas.
Apanha de amêijoas e pesca lúdica
- Apanha lúdica só à mão. Sem utensílios não precisas de licença. Com faca de mariscar, ancinho ou outro utensílio, precisas de licença de pesca lúdica da DGRM.
- De dia. Desde agosto de 2026, do pôr ao nascer do sol não podes apanhar nem pescar de bordo de barcos.
- Duas canas no máximo por pessoa, e nada de pesca submarina.
- Não em todo o lado. A apanha é proibida nas áreas de proteção total e de proteção parcial do tipo I.
- Antes de comer, vê no IPMA se a zona de bivalves está aberta.
Cães e drones
O regulamento do Parque só fala de animais domésticos para os proibir nos viveiros de bivalves. Fora disso, mantém o cão perto de ti e longe das aves e das zonas vedadas, e segue as regras afixadas em cada praia.
O plano não fala de drones pelo nome, mas sujeita a parecer do ICNF o sobrevoo de aeronaves com motor abaixo de 1000 pés. O aeroporto de Faro fica ao lado. Pergunta ao Parque antes de voar.
Quinta de Marim: o Parque em Olhão
A sede do Parque é o Centro de Educação Ambiental de Marim, em Quelfes, à saída nascente de Olhão, junto à EN125 e ao parque de campismo. É lá que o ICNF recomenda começar a visita. Tem um percurso circular fácil, de cerca de 2,9 km, e perto fica o Chalet João Lúcio, de 1916. Horários, como chegar e o que ver estão no nosso guia da Quinta de Marim.
O que isto muda na tua ida às ilhas
- Leva saco para o lixo e traz tudo de volta para o continente.
- Nada de tendas, fogareiros nem fogueiras na praia.
- Anda pelos passadiços, sobretudo na Armona e na Culatra.
- Se queres apanhar amêijoas, faz isso à mão, de dia e longe das zonas protegidas.
- Para escolher praia, vê o guia das praias com Bandeira Azul.
- Se vires alguma coisa errada, liga para o SOS Ambiente (808 200 520). Em emergência, 112.
Perguntas frequentes
Posso acampar nas ilhas da Ria Formosa?
Não. O Plano de Ordenamento do Parque proíbe o campismo e o caravanismo fora dos locais destinados a isso. Para dormir perto da ria, procura um parque de campismo ou alojamento em terra.
Posso fazer uma fogueira ou um churrasco na praia?
Não. As fogueiras e queimadas são proibidas no Parque, exceto em áreas com infraestruturas para o efeito. Leva comida já feita.
Posso apanhar amêijoas na Ria Formosa?
Só à mão, de dia e fora das áreas de proteção total e de proteção parcial do tipo I. Sem utensílios não precisas de licença; com faca de mariscar ou ancinho precisas de licença de pesca lúdica da DGRM. Vê no IPMA se a zona está aberta antes de comer.
Posso voar com um drone na Ria Formosa?
Pergunta primeiro ao Parque. O plano sujeita a parecer do ICNF o sobrevoo de aeronaves com motor abaixo de 1000 pés, e o aeroporto de Faro fica ao lado.
Posso levar o cão às ilhas?
O regulamento do Parque só proíbe animais domésticos nos viveiros de bivalves. Mantém o cão perto de ti, longe das aves e das zonas vedadas, e segue as regras afixadas em cada praia.
Onde fica a sede do Parque Natural da Ria Formosa?
No Centro de Educação Ambiental de Marim, em Quelfes, à saída nascente de Olhão, junto à EN125. Contactos: 289 700 210 e pnrf@icnf.pt.
Este guia é informativo e foi verificado na data indicada. Horários, preços e regras podem mudar: confirma sempre junto das entidades oficiais antes de ires. Se vires algo desatualizado, avisa-nos pelo Instagram @olhaolovers.
Fontes
- ICNF: Parque Natural da Ria Formosa (classificação, caracterização, estatutos, fauna, património)
- Diário da República: Decreto-Lei n.º 373/87, cria o Parque Natural da Ria Formosa (versão consolidada)
- Diário da República: Resolução do Conselho de Ministros n.º 78/2009, Plano de Ordenamento do Parque Natural da Ria Formosa
- ICNF: Atividades de turismo de natureza no Parque Natural da Ria Formosa (quadro do Plano de Ordenamento)
- Natural.PT (ICNF): Parque Natural da Ria Formosa, contactos e apoios ao visitante
- Natural.PT (ICNF): Informação sobre o PNRF e 2 percursos, incluindo o Percurso do Centro de Educação Ambiental de Marim (PDF)
- Natural.PT (ICNF): Informação de bolso sobre o Parque (PDF)
- ICNF: Código de conduta e boas práticas dos visitantes nas áreas protegidas (PDF)
- IPMA: Viagem pela Ria Formosa, 12 de novembro de 2025 (plano de salvaguarda dos cavalos-marinhos)
- DGRM: Portaria n.º 328/2026/1, normas da pesca comercial e lúdica na ria Formosa (PDF)
- DGRM: Perguntas frequentes sobre pesca lúdica 2026 (PDF)
- IPMA: Estado das zonas de produção de moluscos bivalves

